agosto 26, 2013

Meu sangue

Inaugurei um espaço novo,
Vazio infinito de mim.
Trago no peito lascivo,
Sangue feito de festim.

G. C. Pezzatto

A gente

Só pra irritar
A gente quer provar
Que tá demais
Esse amor é demais.

Logo de manhã
Você me traz uma maçã
Só pra amolar
Me caçoar.

Escondo as pilhas da televisão
Só pra ver sua preocupação
É só por amar
Que vou perturbar.

Vem querendo ver filme de terror
Falando os bordões, parece até gravador
Tentando assustar
Só pra depois me consolar.

Canto Beatles o mais alto possível
Você fica com um bico visível
Meu bem é pra troçar
É amor demais pra importunar.

A gente se inflama
Inventando melodrama
Desse amor plausível
A gente vai inventando o impossível.


G. C. Pezzatto

agosto 02, 2013

Última prosa

A alma afligida,
Sente a dor latente.
O vazio aumenta,
Sobre a lembrança presente.

Vazio que guardo,
Do lado esquerdo do peito.
O vazio que trago,
Nos trapos remendados de pano velho desfeito.

Vazio cravado,
Como espinho de rosa.
Vazio que bate conforme o pulso,
Dessa última prosa.

G. C. Pezzatto
02/08/2013